O casamento

Nunca sonhei em casar. Sempre sonhei em encontrar o amor da minha vida, mas nunca sonhei em casar. Para mim, estar com a pessoa amada seria suficiente, sem ser necessário um papel a comprovar o nosso amor. E também sempre disse que não sairia de casa dos meus pais para casar, que viveríamos juntos antes e de preferência, que ainda iria viver sozinha antes de vivermos juntos. Assim aconteceu. Na realidade, eu já estava pronta para abdicar da parte de viver sozinha porque estava pronta para ir viver com o amor da minha vida, mas ele ainda não estava preparado para tal, e por isso procurei casa, fiz as malas, saí de casa dos pais e fui viver sozinha. E assim foi durante 10 meses. Depois, por causa das voltas que a vida dá, quando finalmente ele estava preparado para vivermos juntos, eu recebi  uma proposta para o trabalho dos meus sonhos e vim viver para Lisboa. Ele ficou no Porto, e assim se passaram mais 9 meses a viver sozinha de segunda a sexta, e com ele aos sábados e domingos, alternando entre a casa do Porto e a casa de Lisboa. Depois de mais umas voltas, em que ele se mudou finalmente para Lisboa e depois ainda teve de voltar para o Porto, agora (há 6 meses) vivemos finalmente juntos a tempo inteiro. E adoro.

 

Mas voltando ao assunto do casamento, para mim viver com ele é mais do que suficiente e nunca precisaria de casar. Nem sequer pelos benefícios fiscais, já que a união de facto dá praticamente os mesmos direitos que o casamento.

 

Ao longo dos últimos anos, tenho ido a vários casamentos de amigos e família, pelo menos uns 10 e adoro ir a casamentos. Divirto-me mesmo, gosto sobretudo de estar com os amigos num ambiente relaxado, alguns que já não vejo há algum tempo, da comida (salvo algumas exceções), de dançar até não poder mais. Mas tenho perfeita noção de que o casamento não tem o mesmo significado para os meus amigos que tem para mim. Aliás, a maior parte deles saiu mesmo de casa dos pais para casar. Algumas das minhas amigas sonham desde pequeninas com o dia do seu casamento. E apesar de eu não dar importância nenhuma a um papel com algumas assinaturas, a verdade é que me emociono nos casamentos dos outros, principalmente daqueles que me são mais próximos. E isto deixa-me a pensar se o casamento no papel terá assim tão pouca importância para mim. Fico emocionada com o amor, e nada tem a ver com o casamento? Ou será que fico emocionada com a declaração pública de amor que está associada ao casamento? Não fará sentido, quando sabemos que queremos passar o resto da vida com aquela pessoa, ou seja, quando sabemos que encontrámos o amor da nossa vida, festejar esse facto com a família e amigos? Para mim é isto que faz mais sentido: partilhar a nossa felicidade com aqueles de quem gostamos. E esta partilha de felicidade não tem de implicar uma festa gigante, com quinta, banda, comida para um batalhão, flores e fogo de artifício. Eu e o amor da minha vida sempre dissemos que queríamos casar um dia, da minha parte confesso que mais pela festa do que pelo papel em si. Mas também sempre dissemos que não queríamos um casamento de arromba, porque queremos ser nós a pagar tudo e não queremos de todo gastar uma pequena fortuna numa festa. Consideraríamos isso um desperdício de dinheiro. Aliás, preferimos mil vezes investir numa lua de mel em grande. Assim, a forma como vejo o nosso casamento é na conservatória, com a nossa família mais próxima (umas 15 pessoas), um almoço com essas mesmas pessoas, e depois um lanche ajantarado caseiro com a família mais estendida e os amigos mais próximos. Gostava de ter música e de poder dançar, se bem que ainda não consigo visualizar muito bem como isso se processaria. Quero um vestido de noiva (porque pronto, são sempre bonitos) mas muito, mesmo muito simples. No fundo, seria tudo muito simples.

 

No fundo quero casar, e como se pode ver, até já perdi algum tempo a pensar em alguns dos pormenores. Mas apenas recentemente perdi algum tempo a pensar porque é que de facto quero casar. E é isto: partilhar a nossa felicidade com aqueles de quem gostamos.

 

Depois ainda há a questão do pedido de casamento, do anel de noivado e todas essas coisas mais tradicionais, mas isso já é toda uma outra conversa que vou deixar para outra altura.

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