Viagem Filipinas/Macau – parte I

No final do mês passado embarquei para mais uma viagem. Deste vez, e por motivos muito particulares, o destino foi Macau, com um saltinho às Filipinas para uns dias de descanso.

A viagem começou da pior forma possível, com o taxi à minha porta às 11h30, tal como eu tinha pedido, e a ter ainda de terminar assuntos de trabalho que tinham mesmo de ficar resolvidos, deixando o taxi à minha espera durante 20 minutos. Coitado do senhor, ligou-me a perguntar se eu já não ia para o aeroporto, pedi-lhe para esperar e ele foi extremamente simpático e nem sequer me cobrou o tempo que esteve à espera.

Finalmente ultrapassada a crise de trabalho e chegando ao aeroporto, as coisas rapidamente mudaram de figura. Voei pela primeira vez com a Emirates (em económica e porque eram os voos mais baratos para os dias que queria) e, digo-vos, nunca me senti tão confortável num voo de longo curso. Os lugares são espaçosos, os assistentes de voo muito simpáticos, há todas as comodidades e mais algumas e comi as melhores refeições de sempre num voo. Para meu espanto, havia internet no avião, tudo bem que o pacote gratuito era muito limitado, apenas um máximo de duas horas e 10 MB (que acabam ao fim de 5 minutos, mas que ainda deram para enviar mais dois e-mails de trabalho com ficheiros Word em anexo), mas por apenas 1$ podemos ter internet o voo inteiro até um máximo de 500 MB.

Fiz escala no Dubai e o destino final era Hong Kong, por isso ainda tive de apanhar o ferry para Macau. O ferry parte diretamente do aeroporto e a empresa gere a bagagem, fazem eles a recolha por nós e entregam já em Macau, o que é bastante confortável. Em Macau estive apenas umas horas e na madrugada seguinte voltei a apanhar o ferry para Hong Kong para mais um voo, desta vez curto e para as Filipinas.

A visita às Filipinas foi boa mas agridoce. Em primeiro lugar, quisemos voar para uma ilha que tivesse voo direto de Hong Kong, uma vez que só íamos ficar 4 dias e não queríamos perder muito tempo com voos e escalas. Por causa disso talvez a ilha escolhida não tenha sido a melhor. Além disso, foi a primeira vez que visitei um país tão pobre e fez-me imensa confusão fazer férias naquele lugar. A pobreza está à vista de qualquer um e o que mais confusão me faz são as crianças. Começo imediatamente e pensar “porque tive eu a sorte de nascer em Portugal, e estas crianças não?”. Porque é que a mim me foi dada a oportunidade de estudar, aprender, fazer algo que gosto e para o qual tenho talento, viajar pelo mundo, e estas crianças estão aqui presas, com quase nenhumas oportunidades, com futuros altamente limitados? Um deles podia bem ser o próximo Einstein se lhe fosse dada a oportunidade, e no entanto, muito provavelmente nunca vão sequer sair desta ilha. Isto causa-me imenso sofrimento. Bem sei que falo de um lugar privilegiado, que estive lá e não fiz nada para melhorar a situação deles, e a sério, adorava fazer, mas sou apenas uma, sou tão insignificante, penso sempre “o que posso eu fazer?”.

Para além disto, reparei que todas as pessoas lá são altamente subservientes perante os turistas. Estão constantemente a pedir desculpa e a agradecer e a perguntar se está tudo bem, mas de uma forma que parece que se estão a rebaixar perante nós. Senti-me como se deve sentir uma vedeta altamente importante quando tem muitas pessoas à sua volta a bajulá-la e não gostei nem um bocadinho. Uma noite depois de jantar estávamos a tentar apanhar um taxi para o hotel e chovia muito (em Mactan chove TODOS OS DIAS às 5h da tarde e à noite). A certa altura abrigámo-nos por baixo de um toldo e não conseguíamos ver bem a rua para ver se vinha um taxi. Passou uma senhora com uma criança, traziam um guarda chuva, e ficaram ambas à face da estrada a ver se vinha algum taxi. Quando finalmente passou um e eu me apercebi que ela estava a chamar o taxi para nós, fiquei absolutamente espantada. Espantada e a sentir-me mal! E sinceramente, não sei se é por sermos turistas, se é por sermos brancos, se é por nitidamente sermos mais “ricos” do que aqueles pessoas, mas o que dá a entender é que lhes é incutido ao longo de toda a vida que o seu dever é servir-nos.a criança que acompanhava a senhora, por exemplo, vai crescer a ver a mãe (suponho eu) a servir os “outros”, é normal que também venha a ter o mesmo tipo de atitude quando crescer. E eu fico tão triste com isso. Sinceramente, fiquei sem grande vontade de voltar a visitar países assim tão pobres, apesar de saber que o turismo é grande fonte de capital e de empregos para eles, o que me fez sentir um pouquinho melhor por ter passado aqueles dias lá.

Para além disto, gostei das Filipinas, ou pelo menos do bocadinho que vi. Muito calor mas muita chuva sempre ao final do dia. Das duas praias que fomos, uma era boa, outra não era nada de especial. Fiz snorkeling pela primeira vez na vida e adorei, apesar de ter sentido algum medo que os peixinhos me fossem atacar, de tão próximo que eles andavam. A comida é muito boa e as mangas são MA-RA-VI-LHOSAS!

Ficam algumas fotos e para a próxima vou falar um bocadinho dos dias seguintes de regresso a Macau.

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Piscina do hotel só para nós

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Praia

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Praia

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Batidos de banana e manga

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Minutos antes de começar a chover torrencialmente

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